A LEI É QUE NOS CONDUZ PARA UM BOM CONVIVIO NA SOCIEDADE.'.

O ESTADO, foi criado para que o ser humano, não mais resolve-se seus conflitos, por sua conta e risco. A legislação é que nos dá um norte. A educação e a formação escolar e toda qualificação que temos nos dá a possibilidade de termos uma vida melhor.'. A M.'. nos revela valores e princípios e cabe a nós aplica-los e seguirmos em frente, em prol do bem comum.'.TFA.'.

terça-feira, 21 de maio de 2019

M.'.U.'. - intolerância .'. desbastando a pedra bruta .'. TFA.'.

A Intolerância da intolerância

Paradoxo da tolerânciaSe o amor fraternal, o alívio e a verdade são os alicerces da Maçonaria, a tolerância é o cimento que os une. No entanto, num mundo que registou e / ou testemunhou uma crescente tolerância, nós, como maçons, somos bastante intolerantes. De muitas formas, o nível inaceitável de intolerância dentro das nossas lojas faz sentido quando observamos os esforços para manter o status quo actual.
Como fraternidade, há muito que falamos de tolerância, universalismo e Maçons reunidos no nível. Isto é um ideal fantástico e será verdade? Os maçons realmente praticam a tolerância e a equanimidade para com todos, e fizeram-no no passado? A Maçonaria trata os afro-americanos da mesma forma que os caucasianos? Trata os muçulmanos, judeus, hindus, mórmons e outras religiões monoteístas, da mesma forma que os cristãos; as mulheres têm tratamento igual aos homens? Podemos nós que estamos dentro verdadeiramente afirmar que não há fanatismo na Maçonaria? Será que já ouviu piadas racistas ou anti-semitas, insultos raciais ou anti-semitas e pejorativos, estereótipos de homens, mulheres, religiões, raças e grupos étnicos de outro maçom? Observações pessoais e experiências expuseram este escritor a todos esses comentários intolerantes – não apenas no mundo profano;  foram ouvidos directamente da boca de homens que se chamam maçons livres.
E quanto à tolerância entre irmãos? Um Venerável Mestre é tolerante para com o aprendiz mais jovem, quando ele tenta oferecer uma ideia diferente? Um Grão-Mestre é tolerante às críticas construtivas oferecidas para beneficiar a Ordem como um todo? Ou, quando um irmão confronta um Grão-Mestre ou um Venerável Mestre e o responsabiliza pelos seus compromissos verbais? São tolerantes com esta responsabilidade fraternal que foi solicitada? E quando um irmão discorda da visão de um Grão-Mestre (ou um Venerável Mestre), é tolerante com essa visão e está disposto a trabalhar com ele para conseguir um resultado bem-sucedido? E quanto aos irmãos que aderem a diferentes filosofias políticas, os irmãos têm sido tolerantes com as suas diferentes perspectivas e permaneceram irmãos de verdade? Novamente, este escritor observou muita intolerância nas circunstâncias descritas acima.
Será que os Maçons apoiam honestamente o direito de cada irmão a ser diferente da maioria? Nos anos 1900, a Maçonaria imaginou-se como construtora da sociedade, apoiando a liberdade e a democracia. Os maçons que escreveram e falaram durante esse período identificaram a fraternidade como uma instituição que trabalha para o aprimoramento da sociedade, acolhendo homens de todas as raças, religiões, etnias, culturas, níveis socioeconómicos e todas as origens, juntos e promovendo um mundo de paz. H. L. Haywood disse que deveríamos melhorar a condição humana através da educação e usar a Maçonaria para ajudar a família humana a viver feliz e junta.
Embora os Estados Unidos tenham evoluído de forma incremental nas suas visões gerais sobre a tolerância, muitos dos seus cidadãos estão presos em uma época e continuam a promover uma atitude de intolerância. O movimento de sufrágio feminino previa a tolerância nacional do voto feminino e eventual participação como funcionários eleitos. No entanto, este foi um pequeno abraço de tolerância, desde que as mulheres vêm lutando pela igualdade e, lentamente, ganhando pedaços do que elas procuraram durante um longo período. Mais de 30 anos se passaram desde que a Equal Rights Amendment (ERA) foi derrotada e as mulheres ainda estão à procura de igualdade de status com seus pares masculinos na sociedade americana.
Os afro-americanos foram libertados dos laços da escravidão no decurso da Guerra Civil dos EUA de 1860. No entanto, estes cidadãos não foram tolerados pela sociedade convencional fora do seu local socialmente construído por quase mais 100 anos. Os anos 60 expuseram a horrível falta de tolerância não apenas para afro-americanos; também expuseram os preconceitos religiosos contra um candidato à Presidência dos EUA. A Lei dos Direitos Civis abordou a intolerância da população através do estado de direito e, embora parecesse bom no papel e a comunicação social e as autoridades eleitas o aplaudissem, havia pouca fiscalização. Mais tristemente, os maçons fracassaram em aceitar os homens afro-americanos como iguais e continuaram a considerar o membros do Prince Hall Affiliation (PHA )como “clandestinos” e, portanto, indignos do seu companheirismo e reconhecimento até aos anos 80. Embaraçosamente, ainda existem 13 Grandes Lojas do sul que continuam a farsa e a falta de tolerância ao não reconhecer as Grandes Lojas da PHA dentro dos seus estados.
Os judeus ainda são o alvo do fanatismo, da intolerância religiosa e de piadas e estereótipos anti-semitas. Eles são vítimas de crimes de ódio e são culpados por fanáticos e teóricos da conspiração pelos males do mundo. Os homossexuais são também vítimas de grande intolerância, discurso de ódio religioso e social, e estereótipos falsos atribuindo o HIV / SIDA como resultado da sua orientação sexual.
Contudo, a nossa sociedade de amigos e irmãos fala de nossa diversidade como um aspecto enriquecedor da nossa fraternidade. É uma irmandade que une homens de todas as classes sociais. James Anderson disse em 1700, “a Maçonaria reúne homens que, de outra forma, permaneceriam em uma distância perpétua”. Os maçons dos anos 1900 e os irmãos da sua geração disseram que a Maçonaria poderia promover a paz mundial através do entendimento humano.
Intolerância, injustiça racial, étnica, religiosa, social e política atormentaram os Estados Unidos e todo o mundo. As experiências de intolerância por humanos, incluindo maçons, em todo o mundo revelam que a humanidade deve aprender a lidar com equanimidade a interagir com diferenças de raça, género, orientação sexual, etnias, cultura, idioma, nacionalidade, estilo de vida, religiões e diferenças políticas, se queremos sobreviver e continuar a evoluir como espécie.
Maçonaria pode ser e poderia ter sido no passado, em todos os tempos e em todos os sentidos, o principal promotor da tolerância e união sobre o nível. Como maçons, podemos ser os líderes na procura da harmonia racial e cultural, relações igualitárias e paridade vocacional entre homens e mulheres, bem como criar espaço para relacionamentos respeitosos entre pessoas de diferentes filosofias políticas.
Pode-se perguntar quando é que a Maçonaria mostrou o princípio da tolerância tanto filosoficamente como de forma prática. Nenhuma maior exposição de tolerância foi observada do que as ocorrências durante a Guerra Civil dos EUA. Este escritor está confiante de que estas ocorrências aconteceram como uma questão de rotina da vida diária, ainda que pareçam ter-se tornado uma prática rara após a Guerra Civil dos EUA. Não existe nenhum teste maior à tolerância existe do que aquele que ocorre no meio de conflitos armados, resultado de diferentes filosofias e ideologias políticas. A transcrição que se segue, é apenas um exemplo das aplicações práticas da tolerância que ocorreram durante os dias mais intolerantes da história dos EUA.

Funeral Maçónico pelo Inimigo

Em 11 de Junho de 1863, a lancha canhoneira Federal Albatross, com o tenente J. E. Hart da Loja St. George’s nº6 de Nova York no comando, estava ancorado no rio Mississippi, em frente à cidade de Bayou Sara (alguns relatos dizem que St. Francisville) que fica 15 milhas acima da fortificação Confederada­ de Port Hudson. A canhoneira fazia parte dos navios que sitiavam Port Hudson, Louisiana. O comandante Hart estava em delírio há muitos dias e estava confinado aos seus aposentos. Soou um tiro e o oficial-chefe do navio, Theodore E. Dubois, e o médico encontraram o comandante morto.
Os oficiais do navio que não queriam enterrar o seu comandante no rio enviaram uma bandeira de tréguas a terra para descobrir se havia uma Loja Maçónica local. William W. Leake, Venerável Mestre interino da Loja Bayou Sara, foi abordado pelo capitão Samuel White, que morava perto do rio, para realizar um funeral maçónico para o comandante Hart.
O Irmão Leake respondeu: “Como soldado do Exército Confederado, acho que é meu dever. Como Maçon, sei que é meu dever“. Em 13 de Junho, alguns membros da loja local usando paramentos maçónicos reuniram-se e encontraram-se com o cortejo de 50 homens do Albatroz sob uma bandeira de tréguas no topo de uma colina. Os irmãos Benjamin F. e Samuel F. White, da Bayou Sara, o cirurgião e os dois oficiais da canhoneira, que eram maçons, estavam no cortejo juntamente com um esquadrão de fuzileiros navais em posição de respeito.
Leake e os Irmãos locais marcharam em frente ao cadáver para o Cemitério da Grace Episcopal Church e enterraram o Irmão Hart na Secção Maçónica com honras militares e maçónicas com a colaboração do serviço da Igreja Episcopal. O irmão Leake liderou a parte maçónica dos cultos. O Cirurgião e os oficiais dos EUA pediram aos Irmãos que se juntassem a eles no Albatroz para jantar, mas estes recusaram. O cirurgião disponibilizou-se então ao irmão Leake para lhe fornecer remédios para a sua família. O irmão Leake recusou, mas posteriormente, o cirurgião enviou alguns medicamentos para Leake através do irmão Samuel White.
O túmulo de Hart foi marcado com uma lápide de madeira por muitos anos e, posteriormente, foi colocada uma lápide permanente cobrindo todo o túmulo. Esta lápide tinha escrito: “Este monumento é dedicado como tributo carinhoso à universalidade da Maçonaria“.
[Nota do autor: a expressão “e tolerância” poderia e provavelmente deveria ter sido acrescentada após o termo “universalidade” nesta dedicação do monumento].
Este evento único é o epítome da tolerância enraizada nos ensinamentos da Maçonaria. Se irmãos de lados opostos que se envolveram em batalhas letais na defesa das suas filosofias políticas e ideológicas são tolerantes com os seus irmãos e respeitam a tolerância o suficiente para impedir uma guerra de realizar um memorial funeral conjunto para um irmão caído, então nós como, Os maçons do século XXI, não devem ser menos tolerantes com os outros que enriquecem a nossa fraternidade com as suas diversidades únicas.
A tolerância é um princípio único e um comportamento esperado, associado à Maçonaria, mais do que a qualquer outra instituição na história. Por causa deste princípio único, a Maçonaria poderia ser a organização de ponta promovendo e apoiando a tolerância entre todos, em todos os lugares, em todas as circunstâncias. No entanto, com toda honestidade, se a Maçonaria quer ser o líder maior, único e de vanguarda, em direcção à tolerância, então devemos eliminar a intolerância dentro da nossa irmandade. A intolerância deve ser eliminada imediatamente e sem esperar que os outros mudem ou morram. Deve ser adoptada e bem clarificada nos nossos respectivos códigos jurisdicionais! Deve ser demonstrada e esperada nas nossas acções em todas as nossas Lojas: votação, reconhecimento e amizade com todos os seres humanos, independentemente de raça, religião, cor, sexo, orientação sexual, status socioeconómico, política, estilo de vida ou qualquer outra coisa fora da composição do carácter de cada um.
É vital que a tradição maçónica e o ideal de tolerância andem de mãos dadas na nossa irmandade imediatamente e sem demora. Paradoxalmente, deve haver tolerância zero à intolerância relacionada com qualquer coisa que vá para além da composição do carácter do outro humano. Através desta acção, a Maçonaria pode e será a maior instituição à face da terra na sua singularidade para promover e apoiar a tolerância e equanimidade para todos os seres humanos. Esta acção poderá ser a nossa mais forte contribuição e legado em nome de nossos ancestrais maçónicos – de nós, para os nossos futuros irmãos e para o mundo. Se nos recusarmos a abraçar o princípio maçónico de tolerância, então desonraremos os nossos irmãos ancestrais e a nós mesmos e, na opinião deste escritor, não temos o direito de reivindicar associação com os irmãos ancestrais que “se encontraram no nível, agiram no prumo e partiram segundo o quadrado“.
C. Shawn Oak
Tradução de António Jorge

Conhecer é preciso .'. tfa a todos .'.

Doutrina do grau de Aprendiz e de Companheiro

Em linhas gerais, a escalada iniciática do simbolismo maçónico é inerente aos seus três graus. A sua constituição dá-se pela “intuição (Aprendiz), análise (Companheiro) e síntese (Mestre)”.
Para tanto, cabe entender que a estrutura doutrinária maçónica, despida das fantasias e das ilações temerárias, respeitando ainda a metodologia e a cultura de cada um dos seus ritos, especificamente sugere ao homem iniciado as três etapas que compreendem a alegoria da vida – infância, juventude e maturidade.
Nesta acepção, o admitido na Maçonaria tem que se despir das nodoas profanas, o que em primeira análise significa deixar dos costumes temerários morrendo para os vícios e para as praticas condenáveis para que, na ordem natural das coisas, haja de facto o renascer de um novo homem. A síntese iniciática desse teatro é o mesmo que o despertar numa infância que traz consigo a índole pura e inocente. É o apólogo dos primeiros anos de uma nova vida. Compreenda-se que simbolicamente o Iniciado morre (Inverno) para renascer (Primavera).
Em Maçonaria, é isto que o iniciado tem por missão de representar na sua primeira fase da aprendizagem. Assim, o Aprendiz Maçon, dado ao seu carácter de pouco conhecimento diante dessa nova realidade, deve antes, com a devida prudência, preparar-se para encontrar o verdadeiro caminho da rectidão. Embora ele ainda siga caminhando por lugares sombrios, se bem compreendida a Arte, a sua intuição levá-lo-á ao seu guia (a razão) para que com perseverança um dia ele alcance o seu objectivo.
Mas qual será esse objectivo? Se utilizando as ferramentas certas, é o de se aprimorar reconstruindo no seu interior um Templo para servir de abrigo da Luz.
Filosoficamente essa primeira etapa, comum pelo desconhecido à frente, traz ao Iniciado a consolidação da dúvida e ele, ainda de visão embotada pelo desconhecido processo do esclarecimento, tenta enxergar por entre os devaneios e as tribulações aquilo que lhe é salutar.
O Aprendiz, digno representante da infância iniciática, utilizando-se da faculdade intuitiva, ainda tacteando pela escuridão, busca conhecimento imediato na plenitude da sua realidade. Entretanto, o pressentimento para as coisas correctas e saudáveis, paulatinamente o irão fazer perceber a importância de se conhecer a si próprio. Assim, a máxima socrática do “conhece-te a ti mesmo” surge como matéria principal da doutrina do grau do Aprendiz maçónico.
Cumprida a primeira etapa da senda iniciática, agora como Companheiro Maçon o admitido percorre a sinuosidade do caminho (Escada em Caracol), o que significa em primeira análise vencer os obstáculos da vida com sacrifício, dedicação e perseverança. É chegado o tempo de sopesar o que concebe o bem e o mal. Da dúvida, simbolizada pelo princípio da dualidade e dos antagónicos do Aprendiz, o Companheiro agora segue o estudo mais completo da essência da Vida. É essa a missão daquele que atinge o Segundo Grau na senda do aperfeiçoamento da Maçonaria.
Com a pragmática da juventude, da acção e do trabalho, toda a produção desse ciclo da vida deve interagir com a aplicação do seu conhecimento até aqui adquirido (método).
A evolução intelectual desvenda mistérios, mas exige a aplicação de mais outras ferramentas. Somente a prática e a dedicação ao trabalho trarão conhecimento suficiente para se usufruir das benesses dos utensílios, novos e apropriados. Cabe então ao Companheiro do Ofício perscrutar o porquê de se utilizar outras ferramentas além do Maço e do Cinzel. O seu discernimento, zelo e prudência fará com que o artífice do Segundo Grau golpeie cautelosamente a pedra esquadrejada durante o seu assentamento. A justa medida da sua força fará com que o golpe aplicado com o maço não esfacele a pedra (conhecimento e comedimento). O Maço, o Cinzel e o Aprendiz denotam a etapa dos conhecimentos das coisas terrenas, já o Companheiro aplicando outras ferramentas anuncia a investigação das coisas elevadas (astrais e espirituais).
Do estudo profundo das regras da Arte da Construção depende a realização humana. Examinar com minúcia o trabalho é também o esquadrinhar do caminho da vida. É a intenção; é o objectivo de tudo que até então tenha se apresentado na técnica de dirigir e orientar a construção do Templo interior.
Em linhas gerais, o Companheiro, depois de ter, ainda como Aprendiz, conhecido a si próprio, tem agora o desiderato de apreciar e examinar a razão e o porquê do seu próprio ser. A contingência de analisar as suas acções e delas perscrutar as suas consequências é um os motes da doutrina do Companheiro Maçon. Assim, a juventude é propícia para uma análise mais sucinta da Obra da Vida. Estudar a quintessência e investigar a leis da Natureza é o suporte para a elevação da Obra.
Por fim, a síntese de toda a escalada iniciática está representada no grau de Mestre Maçon. Na realidade o epítome é o resultado final da Arte. É a beleza da Obra acabada. É o Templo preparado para que nele se concentrem todos os segredos do Ofício. Tal é o seu mistério que essa não é matéria apropriada para esse arrazoado.
De tudo aqui comentado, nada é mais do que uma síntese dessa alegoria iniciática. A doutrina do Aprendiz e do Companheiro Maçon discretamente se encontra nos meandros da liturgia dos rituais autênticos e as suas prelecções (instruções). Além do que lhes é revelado, cabe também aos iniciados dedicação e observação meticulosa no desvendar dessa filosofia. Por óbvio, a Moderna Maçonaria mantém um método velado por símbolos e alegorias dos quais, boa parte desse relicário fora herdada das tradições, usos e costumes dos nossos ancestrais, antigos artífices e canteiros que esquadrejavam a pedra calcária e que viviam reunidos nas guildas que abrigavam as corporações de ofício da Idade Média.
Assim, o arcabouço doutrinário montado pela Moderna Maçonaria traz embasado nas antigas construções das catedrais um suporte metodológico que compara o homem, bruto e áspero tal qual a pedra retirada da jazida (matéria prima) com o homem esquadrejado e polido que pela constância e dedicação ao trabalho se tornou matéria prima especulativa imprescindível para fazer parte como elemento construtivo das paredes de um Templo dedicado à Virtude Universal.
É neste contexto de transformação que actuam as doutrinas de cada grau do simbolismo maçónico.
Como a discrição é um dos métodos da Arte, comenta-se que na construção do lendário Templo de Jerusalém (o primeiro), tido como a maior alegoria maçónica, não se ouvia nenhum ruído durante os trabalhos.
Com este propósito a Moderna Maçonaria traz de modo velado os seus ensinamentos, cujos quais são reservados somente aos iniciados. Sem tumulto e sem ruído, as grandes verdades muitas vezes estão tão próximas que não raras vezes podem passar despercebidas. Nada está colocado por acaso, porém tudo o que está colocado é inexoravelmente necessário. Intuir, analisar e sintetizar é o conjunto que serve de base para os ensinamentos maçónicos.
Concluindo, superficialmente a doutrina está em ensinar ao Iniciado que, com a utilização das ferramentas simbólicas, ele pode ser tornar um novo homem, aprimorado e preparado, para ser útil à sociedade. Especulativamente, é o transformar a pedra bruta e tosca num elemento aproveitável na construção – a Loja (Oficina) é o canteiro e o Homem, a matéria prima.
Adaptado de texto publicado por Pedro Juk

O AVENTAL .'.

O avental é branco

Avental de Aprendiz Maçon
Como elemento material, os aventais têm como função primordial proteger o trabalhador. Esta protecção faz-se contra cortes, perfurações, queimaduras e também  sujidades. Com o mesmo propósito, ou seja, protecção, nós Maçons Especulativos só podemos entrar ao Templo, devidamente paramentados.
O primeiro desvio dá-se pela deturpação do acto. Quando, por exemplo, um soldado coloca a farda, o capacete, o cinturão, as botas, ele não se está a enfeitar, está a vestir-se adequadamente para o combate.
Paramentar-se não é adornar-se; é compor-se de forma adequada.
O avental é um elemento simbólico que nos protege das arestas, das pedras brutas e também das lascas que retiramos ou presenciamos na transformação para a pedra cúbica. Esotericamente, se usarmos o avental na sua plenitude, há a protecção dos Chacras Cardíaco (Ar), Solar (Fogo), Sacral (Água) e Raiz (Terra), Ainda, um dos aspectos mais importantes e que ultrapassa os valores da sua dimensão e do material de confecção, é a sua cor.
O branco é intencional. A sua função simbólica é garantir que nenhuma noódoa passe despercebida. Pode estar esgarçado, furado, velho, frouxo, mas jamais tingido pelo negro da ignorância, pelo castanho da descrença, pelo amarelo da soberba ou pelo vermelho da ira.
A alvura deos nossos aventais é a única prova que teremos do nosso não envolvimento em crimes contra a humanidade, contra a sociedade e entre nós mesmos. Sim, O avental é simplesmente de couro branco, por tudo o que foi explicado acima. O que aconteceu é que a vaidade do homem foi tomando conta e os nossos Irmãos do Século XIX começaram a confeccioná-los em pano, pintando e enfeitando os seus aventais a bel prazer. Em lamentável ostentação, chegava-se ao limite de desfilarem pelas ruas com os seus aventais, após as reuniões. Para restaurar a dignidade e a real simbologia do avental, em 1813 houve a padronização pela Grande Loja Unida da Inglaterra.
O avental é símbolo do trabalho. Ele nunca deve ser visto como conquista de status. É comum ouvirmos o chavão “Sou um eterno Aprendiz”, mas nunca vemos um Irmão voltar a usar o verdadeiro avental maçónico.
Em várias outras oportunidades, durante estes quase 300 anos, várias Potências, Obediências, Congressos propuseram-se normatizar as formas e padrões dos aventais. Cada qual chegou a uma conclusão conforme a sua história, conhecimento e vícios. Portanto, não há um consenso universal em tamanho, material e detalhes. Mas, por similaridade, sendo as Luvas Maçónicas objectos de protecção e testemunho do fervor e zelo, além de não diferenciarem conforme cargos e graus, o simbólico Avental do Verdadeiro Maçon é, simplesmente, branco.
Este artigo foi inspirado no livro “As Pedreiras de Salomão”, escrito pelo Irmão León Zeldis Mandel, que na página 141 refere
“… Mais ainda, um retrato gravado de Anthony Sayer, 1º Grão-Mestre da Loja de Londres em 1717, e copiado de um quadro de Joseph Highmore, mostra o Grão-Mestre vestindo um Avental branco liso, carente de toda decoração”.
Adaptado de texto escrito por Sérgio Quirino

O ÁGAPE II .'.

O ágape – acto de amor

Para nós, o termo “amor” é um termo equívoco, ou seja, o mesmo termo é usado para referir-se a uma imensidade de sentimentos distintos. O nosso idioma não os diferencia porque, no fundo das nossas mentes e da Psique colectiva, não lhes dedicamos a devida reflexão. Os antigos gregos, entretanto, já pensavam sobre isto.
Eles vislumbravam quatro tipos diferentes de amor e para cada um deles havia uma palavra específica. Primeiro, havia a palavra éros (ρως), que designava o amor de natureza sexual, o amor do Homem inteiramente sujeito às forças da Natureza, fosse virtuosa ou viciosamente. Outra palavra para este mesmo tipo de amor era hímeros (Ίμερος), também significando o desejo e a paixão sexual.
Em segundo lugar havia o termo storgué (στοργή), que designava o Amor com afeição, aquele tipo de amor que conecta os pais aos filhos. Este tipo de amor é ainda sujeito à Natureza, pois o amor paterno é instintivo, é natural, mas, embora de natureza instintiva, existe nele uma importante diferença de grau: ele é virtuoso, ele expressa a virtude da conexão paterno-filial e é complementado pela boa vontade.
O terceiro tipo era a filia (φιλíα), um tipo mais elevado de amor. É o amor do Homem que escolhe livremente quem ou o que amar. Ele não mais é sujeito à Natureza ou à força dos instintos (seja sexual ou de afecto familiar), mas agora são o seu espírito e a sua mente os únicos determinantes. Os gregos usavam este termo para se referirem à amizade, pois os amigos são escolhidos, e o usavam também para designar o amor que tinham por algo que desejassem estudar ou cuidar, como, por exemplo, o filósofo, aquele que ama a sabedoria, em que o amor pela sabedoria é do tipo descrito pela palavra filia, não pelas palavras éros ou storgué.
Finalmente, o quarto e mais elevado tipo de amor era o agápe (αγάπη), pronunciado assim mesmo, paroxítono, e que deu origem à nossa palavra ágape, tornada proparoxítona por influência da sua latinização. Este termo designa o amor absolutamente incondicional.
Note a gradação dos tipos de amor. Primeiro, o amor que surge por determinação da Natureza, dividido em dois subtipos: éros, o sexual, que indica submissão total e egoísta à Natureza, expressão mais básica da preservação da espécie e, depois, a storgué, que, transcendendo o sexual, se manifesta no afecto familiar, também expressão do instinto de preservação da espécie, mas de uma natureza mais elevada, menos egoísta, transportando o interesse próprio para o interesse da família ou da comunidade. Segundo, o amor já liberto da Natureza, que surge não por determinação dela, mas por decisão própria do Homem, surge voluntária e livremente da sua mente e do seu coração e que, igualmente, se divide em duas subespécies: filia, que é o amor que se escolhe e se devota voluntariamente a alguém ou a algo específico e, por fim, o agápe, o amor incondicional e universal, sem distinção de especificidades.
Muitos, por ignorância, associam o ágape a uma mera refeição entre Irmãos após os trabalhos e destroem a egrégora desse momento transformando os Irmãos em simples comensais de gula e de cerveja, pois não entendem que a alegria que o Maçon deve sentir com a companhia dos seus Irmãos é de uma natureza totalmente distinta da alegria profana que sente num churrasco regado a cerveja. Estes são os que fazem da Maçonaria apenas mais um clube nas suas vidas profanas e não acordaram para a realidade maior da vida espiritual. Os seus corpos estão no Templo, mas as suas mentes estão nos vícios da matéria. Quantas e quantas vezes um Irmão se põe de pé e à ordem para o churrasco ou para a cerveja, mas não auxilia o Irmão que roga a sua presença numa actividade filantrópica?
Quando reclamamos que a Loja tem que estar unida, em vez de propormos uma confraternização no restaurante, que tal propormos uma actividade filantrópica conjunta, uma visita ao hospital, um auxílio ao necessitado? Não é suficiente a companhia física dos Irmãos. É preciso que as suas mentes e vontades estejam coesas e voltadas para um propósito genuinamente louvável. A união na actividade filantrópica une mais os Irmãos do que a embriaguez conjunta, pois quando as nossas mentes estão dominadas pelo vício da embriaguez, da conversa grosseira, da piada sexualizada e desrespeitosa, da gula e de todo tipo de excessos, as nossas mentes se tornam receptáculos poderosos de energia negativa, mas quando, ao contrário, as nossas mentes estão voltadas para o Bem do próximo, comprometidas em realmente fazer feliz a Humanidade e não a si mesmo, recebemos do G∴ A∴ D∴ U∴  influxos de energia inimagináveis.
Não é propósito primordial da Ordem Maçónica a filantropia, mas ajudar os seus membros a dominarem as paixões e fortalecerem as virtudes. Isto, porém, dá-se pela busca do autoconhecimento, da meditação profunda sobre a espiritualidade da Vida e pela prática constante do Bem. A Ordem não nos pede a filantropia, mas conclama-nos a decidir por ela. Todos manifestamos certamente os três primeiros tipos de amor, uns mais intensamente do que outros. Quando, na abertura do Livro da Lei, se lê o Salmo 133 da União Fraternal, o que ouvimos é um chamamento que desperta nos nossos corações e mentes a vontade sincera de sair dos níveis mais instintivos do amor rumo aos níveis mais elevados.
Toda a Loja de Aprendiz remete-nos para este autoconhecimento para, finalmente, exercemos o amor incondicional e universal simbolizado pelo ágape. A Loja de Aprendiz, portanto, é toda a nossa vida, não apenas uma sessão.
Rodrigo Penaloza

O ÁGAPE .'.

O ágape maçónico é parte do ritual

ágapeO  ágape na maçonaria não é uma exclusividade da actual maçonaria especulativa. O ágape é tão antigo quanto as escolas de mistérios no planeta Terra. Engana-se o Maçom que pensa que o ágape foi inventado pela maçonaria e que após as sessões ele faz algo jamais visto no mundo. O ágape sempre fez parte das reuniões entre os Iniciados, inclusive desde a antiguidade.
Entretanto, o modo como o ágape vem sendo conduzido pela actual maçonaria especulativa está cada vez mais distante do verdadeiro sentido do ágape para uma ordem iniciática como a maçonaria. Cada vez mais o ágape vem sendo conduzido como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões. Assim, como no mundo profano, as pessoas se reúnem pelos mais diversos motivos para comer e beber, os maçons têm conduzido o ágape como uma mera reunião de comes e bebes entre amigos, esquecendo-se do carácter sagrado do ágape que deve haver na maçonaria, pois a maçonaria é sagrada e o sagrado deve gerar o sagrado, assim como o profano gera o profano. O ágape na maçonaria não deve ser uma mera confraternização entre irmãos, mas deve ser o que sempre foi para os Iniciados: uma parte do ritual.
Quando uma pessoa recebe um comentário negativo de alguém ela coloca-se numa posição de perfeição negando sumariamente o comentário que recebeu e desqualifica o seu crítico para desqualificar o comentário recebido. A pessoa criticada sequer chega a ponderar sobre o comentário negativo que recebeu para avaliar o quanto aquilo poderia estar correcto. Muita baboseira é dita em relação à maçonaria, mas algumas coisas acabam tendo sentido se considerada a postura como a actual maçonaria especulativa vem conduzindo a maçonaria. Há quem diga que a maçonaria é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber. Em termos tal afirmação não há de ser desqualificada, considerando que a actual maçonaria especulativa vê o ágape como uma mera confraternização entre os irmãos após as sessões para estreitar os laços fraternos. Se a maçonaria não concorda com a opinião dos que dizem que ela é uma mera reunião de homens que se juntam para comer e beber, a maçonaria deveria avaliar se o seu ágape não se transformou numa mera confraternização com comida e bebida. A transformação da visão externa é de dentro para fora, inclusive a maneira de como o mundo profano vê a maçonaria.
O ágape sempre fez parte dos rituais dos Iniciados. Hoje o acesso a um templo é fácil e cómodo. É possível encontrar lojas maçónicas na esquina, no próprio bairro e a poucos minutos de automóvel. Na antiguidade o caminho até um templo era difícil para muitos. Iniciados faziam verdadeiras peregrinações, até mesmo de meses, para chegar a um templo. Os templos ficavam até mesmo em lugares de difícil acesso físico para que se ocultassem dos olhares profanos. Tudo era mais difícil no plano material. O ágape na antiguidade era também uma forma de satisfazer a necessidade fisiológica de nutrição após todo o esforço físico para participar de um ritual. Pessoas que tinham passado por grandes restrições físicas para chegar ao templo e participar do ritual tinham então o momento para se alimentar e se recompor. O Iniciado, mesmo após todo o esforço físico para participar de um ritual, faminto, diante da oportunidade de saciar a sua fome e sem certezas sobre o seu retorno, se portava de uma forma introspectiva e contemplativa, pois o Iniciado sabe da importância da introspecção e da contemplação. A sabedoria vem pela introspecção e contemplação e não é à toa que o mundo profano trabalha contra isto, inclusive demonizando tais comportamentos.
Pessoas gostam de rezar ou orar antes das suas refeições como uma forma de gratidão a Deus pelo alimento. Mas basta que digam o “amém” para que comecem a comer feito porcos. À mesa gritam, falam alto, deixam a televisão e o aparelho de som ligados da pior maneira possível, falam de assuntos absurdamente tolos, inúteis e abomináveis, atacam verbalmente os outros, presentes ou não, com indirectas ou directas, falam sobre as intimidades das relações sexuais, inclusive sobre a vida sexual dos outros, e tratam o ritual de alimentação como se estivessem defecando no banheiro. É evidente que não adianta agradecer a Deus antes de comer e depois comer com o Diabo, fazendo do ritual de alimentação um banquete no inferno. A “gratidão” a Deus, essa “gratidão” que virou moda falar para tudo quanto é coisa – “gratidão” para cá, “gratidão” para lá -, não se dá por palavras, mas pela conduta. Assim como o que importa em relação ao Amor não são as palavras, mas a conduta. A gratidão a Deus pelo alimento não vem pelas rezas e orações ou por só comer verdurinhas, mas pelo respeito ao acto de se alimentar, alimentando-se conscientemente durante todo o ritual de alimentação, estando consciente do que aquilo representa na Criação.
A maçonaria preza pela fraternidade não apenas entre os irmãos, mas também com as cunhadas e os sobrinhos. Isto é bom, mas a obrigação ritualística deve sempre ser obedecida e estar acima dos interesses pessoais e transitórios. Um dos objectivos do Maçom como iniciado numa ordem iniciática é perpetuar a ordem através da obediência incondicional às leis maçónicas e à ritualística. Da mesma forma que as cunhadas e os sobrinhos não participam das sessões fechadas também não devem participar do ágape, pois o ágape faz parte do ritual. A maçonaria dá às cunhadas e aos sobrinhos incontáveis oportunidades de viverem a fraternidade maçónica, mas esta confraternização não deve ser feita no ágape. A função do ágape não é confraternizar. Quando um homem ingressa na maçonaria, por mais que a ordem inclua a família do Maçom, este é o seu caminho. A evolução espiritual é sempre um caminho individual. Cada um evolui conforme os seus próprios méritos. Todos evoluem individualmente e se a maçonaria é o caminho do Maçom, as cunhadas e os sobrinhos também terão os seus caminhos. O desejo de ser amigo de todo mundo não pode se colocar acima da obediência à ritualística.
Desta forma, entendemos que ao Maçom resulta no seu respeito a Deus e ao modo como Deus faz as coisas; o respeito que vem não pelo medo, mas justamente por viver a harmonia entre amar a Deus, ser amado por Deus e estar sujeito ao seu poder supremo. A alimentação é um dos modos de como Deus faz as coisas. O processo de se alimentar é o sistema que Deus tem para o homem se nutrir e se Deus tem este sistema ele deve ser respeitado. O Iniciado respeita o ágape porque no ágape o homem se alimenta e a alimentação é como Deus faz as coisas. Por isto a alimentação deve ser respeitada e ser feita com consciência, na introspecção e contemplação natural que acompanham todo Iniciado. Em todo o processo da alimentação o Iniciado deve estar ciente de que este é o modo como Deus faz as coisas e respeitar este acto é respeitar o próprio Deus. Os Iniciados da antiguidade realizavam o ágape como parte do ritual pela consciência da importância da alimentação por ser a alimentação o modo como Deus faz as coisas, não para confraternizar. Os Iniciados tinham tanta consciência do sagrado que tornavam tudo sagrado, inclusive o acto de se alimentar. O Iniciado consagra, o profano profana. O ágape deve ser consagrado, não profanado.
O ágape não é uma mera confraternização de pessoas que se reúnem para comer e beber bem, mas é parte do ritual. Sendo parte do ritual, o ágape deve ser conduzido e respeitado como tal, assim como se conduz e se respeita o ritual dentro do templo. No seu âmbito de estreitar os laços da fraternidade o ágape não é um fim, é um meio. Os maçons não devem ter o ágape para comemorar a fraternidade, mas para estreitar os laços que os levarão às coisas maiores em favor da humanidade. A informalidade do ágape abre portas que não poderiam ser abertas no ritual, mas as portas são muitas e cabe a cada Maçom escolher qual porta quer abrir, já que as chaves lhe serão dadas. Há os que consideram a maçonaria como uma associação de homens de negócios que se reúnem com o intuito de estreitar as relações comerciais e utilizam o ágape para estreitar tais relações, vendo o ágape como a oportunidade para conversar sobre negócios e ganhar dinheiro. É na liberdade da informalidade do ágape que cada Maçom irá externalizar o que verdadeiramente espera da maçonaria. A última ceia de Jesus Cristo foi um ágape e aqueles que Jesus expulsou do templo foram aqueles que queriam aproveitar-se das escolas de mistérios para enriquecer.
Adaptado de Autor desconhecido

Venerável MESTRE .'.

A escolha do Venerável Mestre

A escolha do Venerável Mestre para presidir e dirigir os destinos de uma Loja Maçónica deve recair, sempre que possível sobre um Irmão com experiência, adquirida e demonstrada através do exercício de, no mínimo, três cargos, preferencialmente: Mestre de Cerimónia, Secretário e Vigilante.
A Legislação Maçónica actual não faz esta exigência, mas a aceitação da recomendação acima é imprescindível para que a Loja alcance o sucesso desejado e os Irmãos, o progresso harmonioso na Maçonaria.
O Venerável Mestre de uma Loja Maçónica não precisa de ser perfeito, mas, não pode ser medíocre. Ele não precisa de ser Grau 33, basta ser Mestre Maçon. Não precisa ser diferente, mas é muito importante que ele seja um líder nato, sem jamais tentar impor a sua vontade.
Não precisa ter grande cultura profana, mas que seja tolerante e que tenha a clara noção do seu limite.
Precisa gostar de aprender e ter imensa vocação para ensinar, principalmente através dos seus bons exemplos.
Não precisa ser eloquente tribuno, mas deve falar calar e agir correctamente e nos momentos certos.
Precisa saber sorrir e não ter pudor de chorar pela infelicidade e a dor alheia. Deve conhecer e reconhecer as suas limitações e fazer de tudo para as superar.
Um Venerável Mestre não pode ser infiel, vazio e muito menos libertino, porém, deve prezar a liberdade com responsabilidade. Deve gozar a vida com moderação e sem ostentações. Deve ter infinita crença no Grande Arquitecto do Universo, que é Deus, devoção à pátria e imenso amor à família, aos Irmãos e à humanidade.
O Venerável Mestre precisa ter disposição indomável para combater sem tréguas o vício, a corrupção, o crime, a intolerância e as suas próprias ambições pessoais. Ele deve ser, sempre que necessário encontrado ao lado dos enfermos, fracos e famintos de pão e de justiça. Deve respeitar o seu próximo independentemente de cor, posição social, credo ou idealismo político, bem como à natureza e aos animais.
Precisamos de um Venerável Mestre que saiba amparar e ouvir os seus Irmãos, guardando como segredo de confissão as suas fraquezas e enaltecendo, para todos, as suas virtudes. Precisa de gostar da filosofia maçónica, conhecer profundamente a sua liturgia e Ritualística, combatendo o obscurantismo, a intolerância, o fanatismo, as superstições, os preconceitos, os erros, as más lendas e invencionices maçónicas.
Um Venerável Mestre deve respeitar a soberana decisão da Loja, bem como a dos Altos Corpos Maçónicos.
Precisamos de um Venerável Mestre que esteja despido de todas as vaidades. Que seja uma ponte de união entre as Lojas, um verdadeiro Maçon e nunca um espinho de discórdia. Pode já ter sido enganado, mas, não pode nunca ter enganado. Deve saber perdoar e saber pedir perdão.
Um Venerável Mestre não precisa ser financeiramente rico, mas, não pode ser espiritualmente pobre. Precisa ser puro de sentimentos e deve ter como grande ideal de vida os Princípios da Maçonaria. Deve prestar auxílio e socorro aos Irmãos da sua Loja que o procurar, bem como tratar com o mesmo zelo e atenção aos Irmãos visitantes que a si se dirigirem, a fim de que estes se sintam como se estivessem nas suas próprias Lojas.
Precisamos de um Venerável Mestre que incentive a presença e o trabalho beneficente/ filantrópico das Cunhadas e Sobrinhas, sempre que possível, através da Fraternidade Feminina. Que se preocupe com a educação Profana e Maçónica dos Sobrinhos de hoje que deverão ser os Maçons de amanhã.
Procuramos um Venerável Mestre que não dê valor a paramentos luxuosos. Que goste mais de encargos do que de cargos e pompas a ele impostos; que desempenhe com abnegação e fidelidade todos os encargos, pois todos são nobres. Que no término do seu mandato prefira ser um simples colaborador em vez de Venerável de Honra. Que eleito pela primeira vez, admita a sua reeleição, porém, que não tenha a sede de se perpetuar no poder.
Precisamos de um Venerável que, imitando o apóstolo Pedro, seja e ensine aos seus Irmãos, serem pescadores de homens de bem no mundo Profano, isto é, homens livres e de bons costumes.
Precisamos de um Venerável que, goste de ser chamado de Irmão e que realmente sinta no seu coração toda a vibração e plenitude do que é ser um verdadeiro Maçon, líder e justo em toda a sua dimensão.
Precisamos de um Venerável que não viva preso somente ao passado, aos Landmarks e a História da Maçonaria, mas, que escreva as mais belas páginas da Maçonaria no presente, que é a porta aberta para o nosso futuro, posto que estejam numa Nova Era.
Finalmente, precisamos de um Venerável que seja verdadeiro exemplo de conduta na Loja e fora dela, que nos abrace fraternalmente por Três Vezes Três, sorrindo ou enxugando as nossas lágrimas para termos a inabalável certeza de que a Maçonaria é realmente fraterna e iluminada, que eleva o homem da Pedra Bruta à presença do Grande Arquitecto do Universo.
Não nos esqueçamos que há sempre tempo para mudar.
Adaptado de Aildo Virgínio Carolino